Como gostava de ter escrito um artigo sobre a tua morte, meu amigo José Fontinhas, exorcisar num jornal diário a minha orfandade, a minha perda singular. Diluir-me em todas as vozes que te gabaram os gestos de palavra, a pessoa que foste no perfil férreo da vida.
Meu adorado poeta, todos gostamos mais de ti agora, perfeito na tua vastidão exáctica, de face branda, como se sempre tivesses percebido a morte como mais uma mão necessária à colheita dos frutos e assim natural e sério te tivesses apartado da árvore.
Estou sentado à tua porta, na eminência de te murmurar poemas de solidão, também eu mais perto do amor, não fosse ser tão tarde.
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